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Mãe, vais torcer para eu ir, não vais?

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“ Mãe, fui dispensado do emprego e só fico até ao fim do mês…”

…(Silêncio)…  e agora meu filho o que vais fazer?

“ Estou à procura de outro trabalho”.

…Deixa lá, pelo menos assim aproveitas melhor o resto do tempo que ela estiver por cá… (Aquela a que eu sem querer me refiro como tua noiva, em vez de namorada, desde que a conheceste, vá-se lá saber porquê…)

“Preciso de falar contigo porque já tenho outro emprego em vistas, já fiz até a entrevista por skype e tudo”.

…Ainda bem, a fazer o quê e onde?

 “A fazer o mesmo mas em Jacarta…”

…(Silêncio)…

“ Mãe, vais torcer para eu ir, não vais?”.

…(Silêncio)…

… Claro que vou torcer por ti, quero o melhor para ti e quero que sejas feliz onde for…

“Mãe, eu sei que queres o melhor para mim, mas vais torcer para eu ir, não vais?”

“Por favor diz-me que vais torcer para eu ir”. Sabes o que quero dizer, não sabes?

…Sei…Vou sim, não tenhas receio …

(sabes, a minha vontade de tu ficares não é mais forte do que a tua de partires, mas eu não mando no meu coração. Prometo que vou fazer um esforço para sonhar o teu sonho e fazer minha a tua vontade e te ajudar a partir…).

…mas como é que se ajuda um filho a partir?…

Há muito tempo que sei que vais partir, ainda antes de tu saberes, muito antes… como é que se sabe e não se pode fazer nada, apenas deixar a vida correr, apenas deixar o tempo passar e deixar as suas marcas, fazer as suas escolhas…

Por esta ordem de ideias sei que vais fazer de mim avó e se calhar falta menos do que pensas, e que vou ter um neto meio indonésio, meio chinês, meio português no outro lado do mundo…

Já te tinha dito que me chamavam chinesa quando eu era pequena? É porque quando me rio fico sem olhos… mas as pestanas quase perdi de tanto chorar…

“Mãe, vais torcer para eu ir, não vais?”

…Vou…

Quando se ama deixa-se partir, não é? Já deixei  partir muitas coisas por amor, e muitas por amor à minha liberdade e sanidade mental… e já dei asas e já voei e já me espatifei toda no meio do chão e já fui feliz e outras vezes não e já amei e fui amada e já me parti a chorar de tanto rir e já me parti a rir de tanto chorar…

…mas como é que se ajuda um filho a partir?…

“Mãe, vais torcer para eu ir, não vais?”

Os filhos não nos pertencem, foste todo meu durante o breve instante que habitaste o meu ser, até ao dia em que chegaste no meu aniversário…

Já te tinha dito que foste a melhor prenda de anos de sempre, não tinha?…

…depois entreguei-te ao mundo, mas segurei-te até que não pude segurar mais … mas isso não é o mundo…é ou outro lado do mundo…

E quando eras pequenino… ai se o meu filho cai, se ele se magoa, se fica doente e precisa de mim, quem o vai amar como eu…

Já te tinha dito que para mim ainda és pequenino?…

Contigo comecei a aprender o desapego porque te queria abraçar e beijar e nunca deixavas, depois foi por aí fora…isso foi apenas o começo…

Já te tinha dito que foste o meu primeiro grande amor? Depois veio o teu irmão…mas tu foste o primeiro… a primeira vez que eu descobri o que é amar fora do corpo…

Fico feliz por ti, sei que vais ser feliz e isso dá-me paz… sei que finalmente encontraste o amor ou pelo menos um amor e se fosse eu também seguia o amor até ao outro lado do mundo… até ao fim do mundo… porque quando se encontra o amor tem que se lutar por ele e é o que estás a fazer.

Talvez nunca te tenha dito por palavras mas sabes que foi o que eu te ensinei, não sabes?

Porque te mostrei que temos que lutar pelos nossos sonhos e temos que ir atrás daquilo em que acreditamos e que não podemos deixar que ninguém, mesmo ninguém, nos prenda ao chão! E são sempre aqueles que dizem que nos amam muito que mais nos querem prender, e cortar as asas…mas quem ama liberta, quem ama abre mão, quem ama apoia, quem ama ajuda a voar!

“Mãe, vais torcer para eu ir, não vais?”

Claro que sim meu filho porque te amo!

Mas meu filho…

Sim…

Promete voltar…

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Faz hoje 40 anos… Tinha 14 anos quando se deu o 25 de Abril. O metro e as escolas fecharam, haviam avisos na radio para que se permanecesse em casa. O medo inicial deu lugar ao entusiasmo… A partir desse dia e durante muito tempo tudo o que passava na radio era musica de intervenção. Uma gaivota voava, voava… Grândola Vila Morena…

Hoje esse dia parece-me distante e não apenas no tempo…  Recordo com nostalgia e saudade essa esperança que nascia em cada um de nós, esse nova liberdade de ser…

Algum tempo depois foi pedido aos alunos que escrevessem um poema acerca do que significava para cada um de nós a liberdade. Tinha apenas 14 anos e foi assim que escrevi:

A LIBERDADE

 

A liberdade para mim,

é uma rosa, um jasmim,

um cravo encarnado.

São cavalos no horizonte,

pastando no verde prado.

A liberdade é um sonho,

é uma coisa tão bela,

uma melodia sem fim…

São janelas abertas de par em par,

É ar!

A liberdade é amor,

uma caricia, uma flor,

É para mim, assim,

A liberdade.

Alda Maltez 1974

Se  hoje tivesse que escrever um poema, teria o título: “Onde estás Abril?


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…vem …
onde estás e quem és tu?
encontra-me onde somos nós…
…nesse lugar…algures na terra do nunca…
construído com a matéria de que são feitos os sonhos;
…etéreo…mágico…volátil…fugaz…
…perfeito…
…na sua perfeita imperfeição…
Conta-me mentiras… faço de conta que acredito…
…mas conta… e deixa-me sonhar…
Estou com saudades… de quem sou contigo…
…de voar com as tuas asas…
…de me fundir em ti…
vem…sem promessas nem amarras…
…simplesmente vem…
…é tempo…♥

ano-novo-reveillon-virada-do-ano-650x350…é com muita esperança e alegria que vou dar as Boas-vindas a mais um ano. Deixo com alguma nostalgia 2013 porque foi  acima de tudo um ano de grandes desafios e aprendizagens, mas estou ansiosa para ver o que 2014 me reserva. Acredito que este será um grande ano e porque é um ano de vibração 7 que representa uma frequência mais elevada, de maior consciência, acredito que este será um ano de grandes mudanças interiores para muitos, saltos quânticos para outros, e o desatar de nós cármicos para a maioria. É um ano para activar o Dharma e aprender o verdadeiro significado da palavra Amor! A todos os meus familiares, clientes e amigos, desejo um Próspero Ano de 2014! Beijo na Alma. Alda Maria Maltez

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Ninguém nos disse que existem invernos longos…

Fomos educados para almejarmos uma vida estável. Fomos ensinados a acreditar que existe algo que se chama segurança que provém dessa dita estabilidade. Interiorizamos esses princípios de tal forma que nos tornamos infelizes, julgando que falhamos, quando não conseguimos concretizar esse objectivo. A estabilidade é uma utopia, um sonho que nos foi vendido, uma farsa… A vida é feita de mudança. Sem mudança não existe crescimento, aprendizagem, progresso… Assim como na natureza, a vida movimenta-se em ciclos que se repetem… Despimos-nos como o Outono, desnudamo-nos perante as intempéries e por vezes abrimos mão de quem somos e, como a árvore, que deixa partir as folhas ao sabor do vento, fazemos o desapego. Depois mergulharmos em longos e profundos invernos e viajamos até aos lugares mais recônditos desse mundo interior que é só nosso e onde ninguém, apenas nós, podemos mergulhar… para, de seguida, nos renovarmos na primavera da esperança e renascermos na exuberância do verão, onde tudo é cor, luz, alegria… numa continuidade infindável de ciclos e de mudanças, essas que por vezes nos rasgam por dentro, nos queimam a pele, nos marcam e ferem mas que nos fazem crescer, sentir, amar e vibrar, nessa maravilhosa metamorfose que se chama vida!

 

“If You Were A Sailboat”

If you’re a cowboy I would trail you,
If you’re a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore.
If you’re a river I would swim you,
If you’re a house I would live in you all my days.
If you’re a preacher I’d begin to change my ways.
Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.If I was in jail I know you’d spring me
If I was a telephone you’d ring me all day long
If was in pain I know you’d sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me
If I was in darkness you would lead me to the light
If I was a book I know you’d read me every night

If you’re a cowboy I would trail you,
If you’re a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore.
If you’re a sailboat I would sail you to the shore

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Não sei se me acabaram os motivos ou as lágrimas, só sei que deixei de chorar…
Foi mais ou menos de repente, ou se calhar foi de repente que me dei conta que já não chorava por ti, mas isso foi antes de eu passar muitos dias a tentar perceber se era mesmo por ti que eu chorava ou se apenas chorava por mim, pela solidão a que as dores de crescimento me obrigavam.
Não sei, sei que acordei um dia e reparei que não havia nada que me fizesse ter vontade de chorar, nem tu, nem nós, nem nada, nem ninguém.
Não havia nada; só silêncio e paz…e uma alegria tímida e suave como pássaros a cantar aos primeiros raios de sol…
Levantei-me com espanto e curiosidade e tentei procurar motivos para me lembrar de ti e não me ocorria nada, tentei recordar-me do sabor da tua boca e essa ideia parecia-me tão distante como as memórias que perdera ao logo do caminho…
Reparei que me sentia mais leve…sei que as memórias pesam, mas não tinha percebido que pesavam tanto…Queria lembrar-me de ti mas haviam pormenores que já não recordava… queria lembrar-me de ti para não me esquecer dos teus olhos, do teu abraço, do teu cheiro…
Depois o tempo passou e eu esqueci-me por completo que te tinha esquecido, e quando sonhei contigo, nós deitados, a minha mão na tua, a minha cabeça no teu ombro a buscar refugio em ti, eu percebi, que não se esquece quem se ama, as memórias transformam-se em algo doce que nos acompanha e fazem parte de quem somos para o resto da vida…

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