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Category Archives: Pintura

Antes…

 

Antes eu bebia sôfrega a luz dos teus olhos,

Eles brilhavam pra mim como estrelas na noite

…e só eu é que via…

 Antes

As tuas palavras, ditas banais, eram poemas

Cheios de flores, e cor e musica

…e só eu é que ouvia… 

Antes

Eu embarcava no teu sorriso

E navegava no mar das minhas fantasias

…e só eu é que sabia…

Antes

Eu falava com os anjos…e eles mostravam-me

Caminhos de luz até ao teu palácio

…e só eu é que sabia… 

Antes…

Antes as minhas mãos procuravam-te no meu corpo

No silêncio das noites de insónia,

E as minhas lágrimas escreviam o teu nome no meu rosto,

E eu bebia a dor salgada de te querer sozinha.

…mas isso era antes…

Porque antes eu amei um sonho…uma fantasia

…e já toda a gente sabia… 

Mas agora…

Agora as fontes dos meus olhos secaram

E transformaram-se em tinta e em palavras

E eu pintei telas com as cores da minha alma

E enchi folhas com palavras que agora já não me falam,

E tu estás em cada sílaba, em cada pincelada

E eu já não te conheço.

E os teus olhos já não têm o brilho que eu imaginava

…porque só eu é que via… 

Porque agora…

Agora eu enchi a minha vida com os sorrisos perdidos,

E fiz da minha dor o meu navio

E naveguei os temporais que me assolaram, e saí ilesa.

Apenas estou cansada…exausta…

Porque eu passei pela tempestade,

Não foi ela que passou por mim…

E eu saí mais forte.

E hasteei as velas da minha coragem

E rumei a novas paragens…

E ficaram para traz as palavras inocentes

Com que compunha os poemas

Que a menina dentro de mim inventava para te oferecer.

Porque o que eu sentia tinha atravessado o tempo…

Outros tempos…

Porque em outras vidas este amor foi vivido a dois

E eu não estava sozinha.

Mas tu perdeste as memórias

E viajaste no tempo sem lembranças…

…mas isso era antes… 

Porque antes…

Antes eu passeava descalça em roseirais brancos

Abrindo caminhos de sangue

…e só eu é que sentia… 

Alda Maria Maltez

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 Caminhos de Luz – acrilico sobre tela 100x100cm (vendido)

Há quanto tempo não me debruço sobre a escrita… e, dependendo do humor, embalo ao de leve as frases ou escangalho as palavras, ao arremessá-las contra uma folha de papel, deixando-as entregues a um destino incerto que acabei, num impulso, por lhes conferir… Tenho poupado as palavras … essa é que é a verdade… apenas porque agora ando de mãos dadas com o silêncio, e isso tem-me servido de abrigo, esse, que não se encontra nos sons confusos das palavras que nos saem, sejam, ou não, escritas… sejam, ou não, gritadas contra o vento… É como se, dentro do silêncio, eu me encontrasse cara a cara com a pessoa que eu sei que sou e também com aquela que quero ser, e, nesse momento, as palavras deixassem de fazer sentido. O meu silêncio está repleto de letras prontas para formarem palavras, que agora escolhem deixar-se ficar. Por vezes, muitas vezes, escapam-se através dos meus olhos… quer seja numa lágrima, quer seja num brilho fugaz que me atravessa o olhar … Tenho um porão cheio de palavras por dizer, mas sinto que já não faz sentido abrir a boca e soltá-las… não da mesma forma, não como antes… Porque agora… eu descobri o valor exacto de cada uma. Agora deixo que as letras se misturem dentro de mim e me escrevam poemas de amor, e me falem sobre a verdade que existe dentro de mim… dentro de cada um de nós… e que já não sintam a necessidade de se juntarem … e de se libertarem em impulsos… formando palavras…e de partirem… apenas por partir… Deixam-se ficar… a transformarem-se em amor, a soltarem-se em abraços e a libertarem-se em olhares de entendimento… a reinventarem a linguagem…

Alda Maria Maltez

Cosmos Divino   Acrilico sobre Tela 6OX8Ocm

Não sei nada sobre astrofísica, cosmologia, ciência… não sei nada,… Não sei nada sobre cálculos matemáticos nem física quântica nem mitologia, nem ovnilogia nem fenómenos como ESP nem estudei a Bíblia nem o Corão… não sei nada …Na realidade penso que não preciso saber nada, porque  todos os dias me surpreendo com coisas que descubro que não sabia, nem sequer suspeitava da sua existência, e que repente estão lá e passam a fazer parte da minha vida, como se estivessem estado lá o tempo todo…toda a minha vida…as minhas vidas… Nunca a expressão”quanto mais sei mais sei que nada sei” fez tanto sentido. Não sei nada e todos os dias descubro que sei mais do que suspeitava que sabia, que sei coisas que não estão nos manuais e que não se estudam nas universidades, que sei linguagens que não aprendi nesta vida, que sei mais do que era suposto saber… ou não… apenas porque resolvi procurar, estudar, descobrir o mistério que se encontra para lá de todos os mistérios e resolver os enigmas, os paradigmas, a força que se esconde atrás da força de um pensamento, o que nos transcende e nos guia, o que nos conduz…a mão misteriosa que nos aponta o trajecto… a mão de Deus, alguns diriam… mas eu, que tive uma educação católica, que estudei num colégio de freiras, onde era o medo que impunha o respeito e não o amor, que em casa tive um pai que não tinha a capacidade de demonstrar afecto, e uma mãe demasiado infeliz para saber o significado da palavra individualidade, livre arbítrio, liberdade, e que encheu a minha infância e povoou a minha inocência feliz com medos e fantasmas de pecados e de um Deus castigador com a imagem de um inferno que nos espera quando não somos perfeitos em todos os sentidos, eu…apesar de todas as respostas já prontas que a sociedade tem para nos oferecer resolvi iniciar uma busca por conta própria, descobrir sozinha que força é essa, porque ela existe e está presente dentro de cada um de nós e descobri, contra tudo e contra todos e até contra as minhas próprias expectativas que a verdade é o que cada um de nós quiser que seja, que cada um constrói a sua própria verdade porque a sua interacção com o Universo é única e especial, e que o que existe são muitas maneiras de cada um lá chegar… cada um tem que fazer as suas próprias descobertas, iniciar o seu próprio caminho… sem a ajuda de religiões, sem a formatação que a sociedade nos impõe e assim nos castra, nos embebeda, nos anula… Não, eu não…que levei tanto tempo a descobrir como funciona o Universo e o que ele representa… que tenho dificuldade em expressar, em dizer perante uma sociedade hipócrita que venera a sabedoria mas que não a reconhece quando ela não está formatada para o seu magro entendimento, que agora sei quem é Deus… Ele existe sim, mas não da forma como nos habituamos a imaginá-lo…somos nós que ao tentarmos alcançá-Lo, nos tornamos Nele… Centelhas de um Cosmos Divino… Nós somos Ele, todos e cada um de nós contém essa força Divina… Pó de um Big Bang que continua a evoluir e a formar planeta e vidas e formas de vida que vão subindo em hierarquias de evolução. Sou contra todas as religiões e ainda assim sou um ser espiritual, (apenas porque sou um espírito a habitar um corpo físico temporariamente) muito mais do que os que professam e doutrinam sem saber do que falam, que impõem e que tentam de todas as formas que não se chegue à verdade porque eles mesmo a desconhecem…

Alda Maria

Ilustração de Alda Maltez

Os olhos são o espelho da alma, podem ser sol…podem ser chuva…

 

 

 

 

Alda Maria- Fantasias-Acrilico sobre tela 100x100cm

 

Tenho medo

Fecho os olhos

Escondo um segredo…

 

Planeio

 Planalto

 Salto

Do alto…

 

Vou

 Voo…

 

Abro as asas

Plano…

Sem planos

 

Ilusão…

 

Fecho as asas

Caio a pique

 

Escuridão

 Solidão…

 

Frio

Vazio

Desafio

 

Tormento…

 

Finalmente…

Vento.

 

Abro os olhos

Perco as asas

 

Desilusão…

 

Arvores

Casas

Chão!

 

Alda Maria

 

 

 

Alda Maria- A Penny for your thoughts

Acrilico sobre tela 50x70cm

De nós os dois

Tu sempre foste

O de mais sorte.

Voltaste a esta vida

Sem lembrar

A dor, o sofrimento,

A morte.

E o amor,

Que atravessando os tempos

Nos uniu,

E tu e esqueceste.

Mil anos e mil anos

E mais mil

De memórias que perdeste.

Lembra-te meu amor.

Lembra-te…por favor!

Eras a ave e eu era a arvore,

Eras a folha e eu era o ramo,

Eras a chuva e eu era o mar,

Sempre de braços abertos,

Pronta pra te abraçar.

Eras a boca e eu era o beijo

Éramos um em leitos de desejo.

Eu era a força, tu a razão.

Eras a mente, eu coração.

Eu era a luta, e tu a calma.

Éramos um, de corpo e alma.

Lembra-te meu amor.

Lembra-te…por favor!

                                                                                                                                                              Alda maria

 

 

 

Alda Maria – Preto e Prata

Acrilico sobre tela- 100x130cm

 

Escrevo, rescrevo, transcrevo.

Apago, emendo, remendo.

Leio, releio, passeio,

Por entre as linhas escrevendo,

Poemas, em que te endereço

O meu amor, o meu apreço.

Digo, não digo, falo.

Palavras que não escrevo, calo.

Guardo, resguardo, amo.

Leio, releio, declamo.

Escrevi para ti e ofereço,

Prova que nunca te esqueço.

Guarda, com todo o desvelo,

Lê-o, relê-o, e sente…

O que eu senti ao escrevê-lo.

 

Alda Maria