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Category Archives: Crónicas

Natal de 2011… há muito tempo que não me lembro de um Natal assim…perfeito…em minha casa…finalmente…

Especial…sem excessos, que o dinheiro é contado ao cêntimo…mas o Universo tem uma forma de nos presentear, de nos recompensar, de nos surpreender…

Abundância não significa necessariamente dinheiro e bens materiais… abundância é ter os meus filhos junto de mim…abundância é poder escolher e construir as minhas próprias tradições…o bacalhau no forno regado com azeite…o fondue de chocolate…os ursinhos pais-natais na árvore a assistirem ao jantar de família…abundância é o luxo de ouvir “Requiem for a Dream” tocado ao piano pelo Rafael…lindo demais… momentos perfeitos que o dinheiro não compra…

Não se trocaram as prendas a que em outros natais nos habituamos…nem foi necessário…

Só me resta agradecer ao Universo por tudo o que me dá…todos os dias…

Namastê

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 A minha ideia para Portugal sair da crise é muito simples. Tão simples que até chateia e ao mesmo tempo tão complicada como complicado pode ser mudar um sistema… alterar um conceito… apagar e começar de novo, mandar abaixo o que está tão terrivelmente enraizado e construir uma nova realidade que no entanto seria tão simples de pôr em prática, bastava haver vontade politica para que fosse feito o “politicamente incorrecto”. Estou a falar de quê? Em primeiro lugar de uma mudança drástica no sistema de valores, de se perceber que efectivamente o país pertence aos portugueses e que todos temos, com todo o direito, uma palavra a dizer. Já se falou num governo de salvação nacional, e não será este o caso? E se esse governo de salvação nacional fosse apenas uma ideia para dar inicio a outra muito maior, com continuação e não com carácter temporário? Porque vivemos numa democracia, será que temos que seguir à risca o que democracia significa. Quem foi que inventou as regras e quem disse que não podem ser alteradas? Vamos alterar as regras do jogo? Podemos faze-lo? O que é necessário para o podermos fazer? Olhamos para os partidos que estão no poder, para a oposição e para os outros que gravitam à volta do poder como traças em volta de uma luz, e apenas podemos pensar que o que perpetua este movimento é pura e simplesmente a sede de poder, interesses pessoais, dinheiro… Maior parte dos protagonistas destes teatrinhos lamentáveis são homens ainda na fase da testosterona elevada. A competição fala mais alto do que os interesses nacionais e o ego individual ou partidário acaba sempre por se sobrepor ao que realmente interessa; governar o país. Como temos constatado, até agora, nada muda quando muda o governo. Vão uns e vêm os que já lá estiveram. Nada muda. Perpetuam-se mentiras. Faz-me lembrar uma má série de TV, cheia de maus exemplos para os jovens, mas que continua a ir para o ar (acho que já vai na oitava edição) em que nunca nada muda a não ser os protagonistas, até porque alguns vão ficando velhos demais para o papel e vão sendo substituídos. É insano que não se perceba que é o próprio sistema político que precisa ser substituído e não os seus parasitas… esses vão ficando por lá enquanto for rentável, e o pior é que nós permitimos que assim seja e ainda lhes damos a bênção! Eu sugiro que se escolham as pessoas certas para os cargos principais, para governar o país e que não sejam necessariamente escolhidas pelo partido que representam, mas pelo curriculum e pelo valor que possam acrescentar a um governo em que todos os partidos têm que estar representados, para que o povo também esteja, e que as pessoas para esses cargos sejam voluntários que dispensem remuneração. Jogar pela camisola… será que alguém ainda se lembra? Tirem uma licença sem vencimento e fiquem seis ou doze meses a ajudar o país a levantar-se… Pois é… assim é que era ver quem é que estava interessado no “poder”… era vê-los a inventarem desculpas para não aderirem a esta solução. Sem dinheiro não existe motivação e coisa e tal… e quem é que ia pagar os almoços e as viagens ao estrangeiro… Não seria necessário, visto que a única pessoa a representar o país seria o presidente da república! Decisões… teriam que ser discutidas até à exaustão, e só saíam da sala quando tivessem chegado a um acordo. E cada decisão tomada, seria fruto de um estudo exaustivo de todas as possibilidades e de pessoas em conjunto e não seria imputado nem culpa nem valor a nenhum partido, nem a nenhuma pessoa em particular porque seria uma decisão conjunta. Não seria isso uma verdadeira democracia? Não haveria um primeiro-ministro em destaque, haveriam vários, e as decisões seriam vigiadas por um presidente da república isento a quem caberia a função de falar ao país e de divulgar as decisões tomadas nas reuniões. A cereja em cima do bolo seria que, essas reuniões onde seriam efectivamente discutidos os números e os assuntos de uma forma séria (não como a palhaçada de lavagem de roupa suja na assembleia da república) teriam que ser filmadas em directo 24 sobre 24 horas para que a transparência fosse total. Tipo Big Brother! E agora eu pergunto: “What does it take?” Alda Maria Maltez

Cosmos Divino   Acrilico sobre Tela 6OX8Ocm

Não sei nada sobre astrofísica, cosmologia, ciência… não sei nada,… Não sei nada sobre cálculos matemáticos nem física quântica nem mitologia, nem ovnilogia nem fenómenos como ESP nem estudei a Bíblia nem o Corão… não sei nada …Na realidade penso que não preciso saber nada, porque  todos os dias me surpreendo com coisas que descubro que não sabia, nem sequer suspeitava da sua existência, e que repente estão lá e passam a fazer parte da minha vida, como se estivessem estado lá o tempo todo…toda a minha vida…as minhas vidas… Nunca a expressão”quanto mais sei mais sei que nada sei” fez tanto sentido. Não sei nada e todos os dias descubro que sei mais do que suspeitava que sabia, que sei coisas que não estão nos manuais e que não se estudam nas universidades, que sei linguagens que não aprendi nesta vida, que sei mais do que era suposto saber… ou não… apenas porque resolvi procurar, estudar, descobrir o mistério que se encontra para lá de todos os mistérios e resolver os enigmas, os paradigmas, a força que se esconde atrás da força de um pensamento, o que nos transcende e nos guia, o que nos conduz…a mão misteriosa que nos aponta o trajecto… a mão de Deus, alguns diriam… mas eu, que tive uma educação católica, que estudei num colégio de freiras, onde era o medo que impunha o respeito e não o amor, que em casa tive um pai que não tinha a capacidade de demonstrar afecto, e uma mãe demasiado infeliz para saber o significado da palavra individualidade, livre arbítrio, liberdade, e que encheu a minha infância e povoou a minha inocência feliz com medos e fantasmas de pecados e de um Deus castigador com a imagem de um inferno que nos espera quando não somos perfeitos em todos os sentidos, eu…apesar de todas as respostas já prontas que a sociedade tem para nos oferecer resolvi iniciar uma busca por conta própria, descobrir sozinha que força é essa, porque ela existe e está presente dentro de cada um de nós e descobri, contra tudo e contra todos e até contra as minhas próprias expectativas que a verdade é o que cada um de nós quiser que seja, que cada um constrói a sua própria verdade porque a sua interacção com o Universo é única e especial, e que o que existe são muitas maneiras de cada um lá chegar… cada um tem que fazer as suas próprias descobertas, iniciar o seu próprio caminho… sem a ajuda de religiões, sem a formatação que a sociedade nos impõe e assim nos castra, nos embebeda, nos anula… Não, eu não…que levei tanto tempo a descobrir como funciona o Universo e o que ele representa… que tenho dificuldade em expressar, em dizer perante uma sociedade hipócrita que venera a sabedoria mas que não a reconhece quando ela não está formatada para o seu magro entendimento, que agora sei quem é Deus… Ele existe sim, mas não da forma como nos habituamos a imaginá-lo…somos nós que ao tentarmos alcançá-Lo, nos tornamos Nele… Centelhas de um Cosmos Divino… Nós somos Ele, todos e cada um de nós contém essa força Divina… Pó de um Big Bang que continua a evoluir e a formar planeta e vidas e formas de vida que vão subindo em hierarquias de evolução. Sou contra todas as religiões e ainda assim sou um ser espiritual, (apenas porque sou um espírito a habitar um corpo físico temporariamente) muito mais do que os que professam e doutrinam sem saber do que falam, que impõem e que tentam de todas as formas que não se chegue à verdade porque eles mesmo a desconhecem…

Alda Maria

“Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que são lançadas no ar…

Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.

O trabalho é a única bola de borracha.
Se cair, bate no chão e salta para cima.
Mas as quatro outras são de vidro…
Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas.

Entendam isso e assim conseguirão o equilíbrio na vida”.

Como?

Não diminua seu próprio valor comparando-se com outras pessoas… Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.
Não fixe seus objetivos com base no que os outros acham importante… Só você tem condições de escolher o que é melhor para si próprio.
Dê valor e respeite as coisas mais queridas de seu coração… Apegue-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido.
Não deixe que a vida lhe escorra entre os dedos por viver no passado ou no futuro… Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias de sua vida.
Não desista enquanto ainda é capaz de um esforço a mais… Nada termina até o momento em que se deixa de tentar.
Não tema admitir que não é perfeito… Não tema enfrentar riscos… É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
Não exclua o amor de sua vida dizendo que não se pode encontrá-lo…  A melhor forma de receber amor é dá-lo…  A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas. Corra atrás de seu amor, ainda dá tempo!
Não corra tanto pela vida a ponto de esquecer onde esteve e para onde vai…
Não tenha medo de aprender… O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
Não use imprudentemente o tempo ou as palavras… Nenhum dos dois se pode recuperar.
A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.

Lembre-se: Ontem é história.
Amanhã é mistério e
HOJE é uma dádiva… Por isso se chama “presente”.

Brian Dyson

Dia 22 fui a júri para o 12º ano, e acabei por falar sobre o meu pai, um tirano à moda antiga… e depois lembrei-me de algo que já há muito tempo não recordava, e dei comigo a reviver momentos e a relembrar pormenores que me tinham escapado ou que eu evitava esmiuçar por algum motivo. O ritual dos jogos de cartas ao serão depois do jantar… O meu pai sentado no sofá em frente à mesinha de sala de estar a beber um copinho de brandy, e a minha mãe “obrigada” a jogar com ele o jogo que ele adorava, e em que era, pode dizer-se, viciado. A minha mãe detestava jogar às cartas. Todos os dias a mesma cena se repetia…. A minha mãe lá ia inventando desculpas para não jogar, a loiça que estava por lavar ou a roupa para passar a ferro…não me lembro, mas sei que ela fazia um enorme “frete” e era incapaz de lhe dizer simplesmente que não. Eu, muito pequena ainda, com cinco ou seis anos a assistir aos jogos, desejando ser eu ali, no lugar da minha mãe. Seguia todas as jogadas com a máxima atenção, jogo atrás de jogo, que o meu pai invariavelmente ganhava…era muito raro o meu pai perder um jogo e quando isso acontecia, como ele tinha muito mau perder, não terminava a noite sem mais um jogo para a desforra, como se não pudesse ir para a cama depois de uma derrota. Caramba! Por acaso nisso até saio a ele por muito que me custe admitir, não gosto de perder nem a feijões e adoro jogos, pelo desafio, e principalmente este que o meu pai também adorava. Um jogo de paciência, o Crapô, que pode levar uma ou duas horas a jogar… A minha irmã, com mais três anos do que eu foi a “próxima vitima”. O meu pai ensinou-a a jogar porque a minha mãe não dava luta, e eu continuei ali a devorar as jogadas e a pensar que se fosse eu… lembro-me da minha irmã muito “panhonha” também não gostar nada de jogar, e eu ali, tão pequenita, com o coração aos saltos a querer que o meu pai percebesse como eu já era crescida…até que um dia, por não haver mais ninguém que quisesse aturar o seu vício pelo Crapô, o meu pai olhou para mim e disse: Alda Maria, hoje vou ensinar-te a jogar Crapô, que é para tu jogares com o pai! Era tudo o que eu queria ouvir! Como se eu já não soubesse jogar…melhor do que ele imaginava. A imagem que eu tenho é das minhas mãos, muito pequenas, eu devia ter seis ou sete anos, a fazer as primeiras jogadas, muito nervosa … as cartas em cima da mesa tinham que ficar muito certinhas para se conseguir analisar o jogo todo, e eu sentia uma enorme responsabilidade por estar ali e ao mesmo tempo o desafio era monstruoso. Ai!…Se ao menos, eu um dia conseguisse ganhar um jogo ao meu pai… um só que fosse… O meu pai era um osso duro de roer, mas eu não me dava por vencida, e ao fim de alguns serões e muitos jogos, lá ganhei o meu primeiro jogo. Ao contrário do que alguém possa pensar…não…não foi porque ele facilitou. Penso que ser derrotado por uma criança, apesar de ser apenas um jogo, para ele era uma humilhação. Fiquei muito quieta, não sabia se havia de ficar contente ou não. Lembro-me de ter olhado para ele à espera da sua reacção e de ter sentido um certo medo. A realidade, é que por muito que ele tentasse, não conseguia disfarçar o rombo que o seu ego acabara de levar. Já era tarde, mas não fomos para a cama sem o jogo da desforra… Quando finalmente me deitei, é que me lembro de ter sorrido…um sorriso de vitória!

Sempre tive sorte ao jogo…

Fotografia de Alda Maltez de Alda Maltez… deu pra entender?

Okay! Não preciso que ninguém me gabe…gabo-me eu! Tudo bem que para a maioria dos mortais doutorados e afins, terminar o 12º ano através do RVCC pode até nem ter valor nenhum, e apesar de eu ter feito o processo “com uma perna às costas”, não posso deixar de comentar no meu diário, sim, porque um blogue sem feed back não passa de um diário. Gostei, adorei, amei fazer o processo e agora até estou a pensar em ir para a universidade tirar…hummm…tavez pedo psicologia, o problema é que tenho muito pouco tempo e ainda menos verba, porque é necessário investimento e nesta fase que ainda não estabilizei não é simples, mas quem sabe…gosto de desafios e este seria certamente o caso. Para quem anda a pensar em fazer o 12º, e se tem assustado com o nivel de desistências e de pessoas a dizerem que é “tão complicado”, só posso dizer que eu achei fácil e divertido. Vão em frente, que prá frente é que é caminho!

Beijinhos

Tenho dois filhos lindos que eu amo de paixão. O David, o meu filho mais velho, foi passar uns dias a Moscovo, e eu só agora me dei conta de como estamos a milhares de quilómetros de distancia… os meus filhos são o meu maior bem. Fui jantar fora com o mais novo, o Rafael, e ficámos durante muito tempo sobre a mesa do restaurante a conversar… como é lindo o meu bebé… tem 21 anos e uma cabeça madura demais para a idade. Sei que a minha saída de casa lhe causou e ainda causa muito sofrimento e isso tortura-me diariamente. Mas eu esperei que os meus filhos se tornassem homens, não podia esperar mais… É extremamente sensível, como eu, o que apenas lhe aumenta o sofrimento. Mas ao contrário de mim, é completamente céptico. De tão céptico que é e ainda assim consegue ser mais espiritual de que a maioria das pessoas, e nem se dá conta disso. Diz que quer partir daqui para fora, e ouvir isso dói demais. Sente-se sozinho e já não se identifica com os amigos… ” Vou explicar-te” diz. “Imagina que eu sou azul e que o resto do mundo é verde, somos diferentes, não falamos a mesma linguagem… não quero ter que me transformar e ser como eles…quero continuar a ser azul e a pensar da forma que penso, mas sei que assim fico cada vez mais sozinho…” Estou preocupada com ele, mas compreendo perfeitamente a linguagem que ele fala, é demasiado parecido comigo, por isso sei que sofre de uma forma desmesurada e eu, nem que queira lhe posso aliviar o fardo que é só dele mas que eu carrego também por preocupação de mãe. Muitas vezes me sinto assim também, como se não fosse igual a ninguém, como se viesse de outro planeta, com formas diferentes de demonstrar e de viver o amor. Falámos de várias coisas e depois de me perguntar onde eu tinha estado e com quem, (que ele agora é meu pai), e de eu lhe ter dito que havia estado com as pessoas que conheci recentemente e onde costumava fazer meditação, ele saiu-se com esta… “ Mãe, estou preocupado contigo, quem são essas pessoas com que tu agora te dás? Tenho medo que te deixes influenciar por elas e acredites em coisas que não existem” (como se eu alguma vez me tivesse deixado influenciar, nem quando tinha 14 anos e andava na escola, ou como se um grupo de meditação pudesse ser uma influencia negativa), e continuou, “ Sabes, quando eu era pequeno, eras tu que tomavas conta de mim, e quando chegou a altura, disseste-me que já não havia pai natal, porque esse era o teu papel… Agora, é como se os papéis se tivessem invertido, e como me preocupo contigo, tenho medo que tu ainda acredites no pai natal. Mãe, a felicidade é algo que não existe, e eu tenho medo que tu sofras outra vez…”  Aaaaiii… como doeu essa conversa, e ainda assim, tão boa que foi. Como é querido o meu menino e como ele me quer proteger, mas não pode…  Tanto que ele sofre com a minha ausência e como me sinto tão culpada pelas horas de solidão que ele tem. Queria dizer-lhe que se preocupa à toa porque eu já sou muito crescida e sei tomar muito bem conta de mim, que as mães sabem tudo e nunca cometem erros nem fazem disparates, mas olhei para o meu filho, ali à minha frente, tão crescido e tão maduro, que me senti como uma criança a levar um sermão do pai, que com muito amor lhe dizia que o mundo é um lugar perigoso onde uma menina sozinha tem que ter cuidado para não se magoar…

Há algum tempo que as noites tinham deixado de ser companheiras, e os livros de cabeceira, o seu porto de abrigo, tinham deixado de a chamar… As longas horas que a noite contava tinham-se tornado intermináveis, transformando-se assim no seu pior inimigo, aquele que lhe retirava o tempo de descanso de que tanto necessitava, fazendo com que se arrastasse da cama na manhã seguinte como quem tinha sido atropelada por um camião. Dava consigo a espreitar os minutos que se escondem no relógio e a rebolar na cama com um nome a dançar-lhes nos lábios… os sonhos agitados que, nos momentos de cansaço em que o corpo, exausto, já não aguentava mais, e se entregava ao sono, mas que a mente teimava em despertar, eram confusos e cansativos. Exasperava-a a forma como o universo lhe mandava sempre a mesma factura e de como ela continuava a cair na tentação de se iludir com promessas escritas em olhares brilhantes… tinha de novo se deixado enfeitiçar por uma miragem, e questionava-se cada vez mais se valia a pena viver um grande amor para depois de seguida se desiludir com ele… As nódoas negras que o amor lhe deixara de presente ainda eram bem visíveis, e quem quisesse ler nos seus olhos veria que por baixo da língua afiada e da crítica rápida se escondia uma mulher carente… -“Medra para os homens! São todos iguais. A única diferença é que uns são mais iguais do que outros…” costumava dizer em tom irónico… e com razão, pois se a vida lhe tinha apenas enviado homens que não sabiam falar de amor, a não ser quando ela já se tinha posto a milhas e era tarde demais para conversas … não… outra vez não… e para quê…? Se tudo o que um dia aproxima duas pessoas não é o mesmo que mais tarde as separa…? se aqueles pequenos gestos, os olhares que se cruzam, os dedos que se tocam, não se irão de novo transformar em indiferenças… em grandes vazios… lembrou-se de um dia ter amado alguém… há muito tempo… e de como esse amor a feriu e magoou… Não…outra vez não… gemeu baixinho… Medra para os homens!

Deu consigo a caminhar sem se importar por onde os seus passos a levariam…os pingos de chuva que começavam a cair confundiam-se com as lágrimas que lhe escorriam pelas faces duas a duas. O céu cada vez mais carregado trazia consigo uma fúria que ela não sentia, apenas o desalento de quem vê mais uma vez os seus sonhos transformarem-se em água e escorrerem-lhe pelos dedos. O caminho fazia com que tropeçasse nos socalcos que a vida de novo lhe enviara e a estrada apresentava-se mais uma vez como um caminho perigoso e cheio de armadilhas que ela era obrigada percorrer. Era tarde demais para voltar atrás… fazer o caminho inverso estava fora de questão… voltar para trás é próprio dos fracos, dos que se recusam a aceitar as mudanças e a sofrer com as dores do crescimento, e ela estava habituada a lutar pelas coisas que desejava, mas sabia melhor do que ninguém, que lutar por vezes pode significar dar um passo atrás para ver de outro ângulo, analisar de outra perspectiva… ela precisava de tempo para pensar… Respirou fundo tentando perceber o porquê de tudo o que lhe tinha sido enviado e pensou de novo no caminho tão difícil que ainda não tinha acabado de trilhar, e como de repente se tinha transformado de novo em areias movediças. Fez um esforço para tentar dizer-se que a vida é feita desses imprevistos e por isso mesmo é que merece a pena ser vivida e que os diamantes no fundo do seu lago lhe haviam devolvido a alegria e a luz e que isso era mais importante do que as nuvens que descarregavam sobre ela as dores do mundo… lembrando-lhe a sua. Ao longe a trovoada ecoava como um lamento e no rádio do carro a música soava como um desafio ou uma acusação “How can I have got in so deep? …Why did i fall in love with you…” Limpou as lágrimas e olhou-se de relance no espelho do retrovisor por não se querer rever na mulher magoada que tinha acabado de entrar no seu carro…encheu os pulmões de ar tentando reunir a coragem de que precisava para continuar, e olhou-se de novo ao espelho, agora com mais atenção e viu, lá no fundo dos seus olhos…as rosas vermelhas do seu sonho e os diamantes do seu lago e teve a certeza que depois de um dia de chuva vem um dia de sol e que o caminho se faz caminhando…

 www.curadaalma22.wordpress.com

 “A noite passada sonhei que tinha recebido duzentas rosas vermelhas…estava mesmo a sonhar…”

Já tive mais de duzentas rosas vermelhas…deitei-as fora!

Deixo sempre secar as rosas que me oferecem… Sei lá, gosto que durem mais tempo…custa-me enfiá-las numa jarra com agua para manter a ilusão de que consigo prolongar-lhes a vida por uns dias mais…apenas mais uns dias, como um amor que chegou ao fim e custa perceber que morreu e agora é só enfiar no caixote do lixo e já está! Demoro a deixá-las partir…primeiro deixo-as secar, como adorno fica muito bonito, os ramos secos mantêm a cor durante muito tempo…depois ganham pó e perdem o encanto….como os casamentos…sem cor e sem vida. Amontoam-se com o ramo dos anos, do” aniversário de casamento” e com o do natal. Depois começa a ficar chato, deitar tudo fora pode significar um sinal de descontentamento. “Vais deitar as rosas fora por algum motivo?” – Não…por nada…só a fazer limpeza…

É bom receber rosas…eu gosto…mas gosto muito mais de uma palavra, de um beijo, de um carinho. Muitas vezes as flores servem para substituir esses pequenos gestos e transformam-se numa maneira fácil de dizer amo-te ou uma maneira mais fácil ainda de não dizer absolutamente nada… a noite passada sonhei que tinha recebido duzentas rosas vermelhas (não fazia por menos, comigo é tudo em grande) e resolvi pesquisar e saber o significado do meu sonho, e acabou por sair isto…

Sonhar com rosas vermelhas significa, sucesso no amor, fortuna…

Poderes mágicos: as vermelhas atraem o amor e as brancas são símbolo de reconciliação. Todas as demais, atraem a boa sorte e protegem os locais onde são cultivadas.

A rosa é a flor associada a Deusa Afrodite e sua origem mitológica conta a história de como a Deusa Cibeles criou a rosa, em represália a uma competição de beleza com a Deusa do amor Afrodite.

O perfume da rosa enche-nos de energia do amor e felicidade, acalmando qualquer tipo de disputa que houver em nossas casas. Outorga paz, tranquilidade e harmonia conjugal. Beba um chá de rosas para ter sonhos divinatórios, ou para melhorar a beleza. Usados como incenso ou em encantamentos, para dormir, atrair amor e curar.

As rosas são ainda afrodisíacas, já que actuam directamente sobre o cérebro e os centros sexuais do corpo, sendo sua essência usada no combate da impotência psicológica. A rosa também incita a generosidade e o equilíbrio, pois actua balanceando as correntes energéticas subtis entre os chacras.