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Category Archives: Contos

Convido todos os meus familiares, colegas e amigos assim como todas as pessoas que se interessem por arte a assistirem ao ciclo de exposições mensais que irão decorrer no espaço Namastê em Odivelas, e que será inaugurado pelas 18 horas do dia 13 com a exposição “Cosmos Divino” que decorrerá do dia 13 de Janeiro a 9 de Fevereiro de 2012.  NAMASTÊ – Rua Fernando Namora , Lote 1, Zona 4 , Loja 4 Urb. Colinas Do Cruzeiro- 2675 – 531 Odivelas – http://www.namaste.pt http://www.aldamaria-maltez.com

COSMOS DIVINO

“Como num mantra, em que se repetem frases Divinas até ao infinito, assim é pintar… uma espécie de iluminação interior que toma forma numa tela e que não cessa de nos surpreender… de nos levar por novos caminhos… novas descobertas… diferentes contextos… vidas… as de agora e as outras, aquelas que lembramos apenas em fragmentos de espaço e de tempo…”

Alda Maria Neto Maltez
Nasceu em Lisboa a 22 de Maio de 1960. Aos cinco anos de idade foi viver para a África do Sul onde passou a maior parte da sua infância. Frequentou em simultâneo uma escola portuguesa e um colégio Britânico de freiras durante os sete anos que se seguiram.

Desenhar e sonhar acordada durante horas fazem parte das suas memórias de infância.

De volta a Portugal frequentou o Curso de Artes Decorativas na António Arroio, em Lisboa, curso que não concluiu. Fez as sua primeiras exposições em Santa Maria(2007)e na Faculdade de Letras(2008). Terapeuta Energética e estudante de Psicologia, neste momento e apesar da arte nas suas várias vertentes fazerem parte intrínseca da sua vida, a pintura é uma paixão que por vezes fica no plano das coisas, como tantas outras, que se amam mas que eternamente se adiam…

Natal de 2011… há muito tempo que não me lembro de um Natal assim…perfeito…em minha casa…finalmente…

Especial…sem excessos, que o dinheiro é contado ao cêntimo…mas o Universo tem uma forma de nos presentear, de nos recompensar, de nos surpreender…

Abundância não significa necessariamente dinheiro e bens materiais… abundância é ter os meus filhos junto de mim…abundância é poder escolher e construir as minhas próprias tradições…o bacalhau no forno regado com azeite…o fondue de chocolate…os ursinhos pais-natais na árvore a assistirem ao jantar de família…abundância é o luxo de ouvir “Requiem for a Dream” tocado ao piano pelo Rafael…lindo demais… momentos perfeitos que o dinheiro não compra…

Não se trocaram as prendas a que em outros natais nos habituamos…nem foi necessário…

Só me resta agradecer ao Universo por tudo o que me dá…todos os dias…

Namastê

Antes…

 

Antes eu bebia sôfrega a luz dos teus olhos,

Eles brilhavam pra mim como estrelas na noite

…e só eu é que via…

 Antes

As tuas palavras, ditas banais, eram poemas

Cheios de flores, e cor e musica

…e só eu é que ouvia… 

Antes

Eu embarcava no teu sorriso

E navegava no mar das minhas fantasias

…e só eu é que sabia…

Antes

Eu falava com os anjos…e eles mostravam-me

Caminhos de luz até ao teu palácio

…e só eu é que sabia… 

Antes…

Antes as minhas mãos procuravam-te no meu corpo

No silêncio das noites de insónia,

E as minhas lágrimas escreviam o teu nome no meu rosto,

E eu bebia a dor salgada de te querer sozinha.

…mas isso era antes…

Porque antes eu amei um sonho…uma fantasia

…e já toda a gente sabia… 

Mas agora…

Agora as fontes dos meus olhos secaram

E transformaram-se em tinta e em palavras

E eu pintei telas com as cores da minha alma

E enchi folhas com palavras que agora já não me falam,

E tu estás em cada sílaba, em cada pincelada

E eu já não te conheço.

E os teus olhos já não têm o brilho que eu imaginava

…porque só eu é que via… 

Porque agora…

Agora eu enchi a minha vida com os sorrisos perdidos,

E fiz da minha dor o meu navio

E naveguei os temporais que me assolaram, e saí ilesa.

Apenas estou cansada…exausta…

Porque eu passei pela tempestade,

Não foi ela que passou por mim…

E eu saí mais forte.

E hasteei as velas da minha coragem

E rumei a novas paragens…

E ficaram para traz as palavras inocentes

Com que compunha os poemas

Que a menina dentro de mim inventava para te oferecer.

Porque o que eu sentia tinha atravessado o tempo…

Outros tempos…

Porque em outras vidas este amor foi vivido a dois

E eu não estava sozinha.

Mas tu perdeste as memórias

E viajaste no tempo sem lembranças…

…mas isso era antes… 

Porque antes…

Antes eu passeava descalça em roseirais brancos

Abrindo caminhos de sangue

…e só eu é que sentia… 

Alda Maria Maltez

 A minha ideia para Portugal sair da crise é muito simples. Tão simples que até chateia e ao mesmo tempo tão complicada como complicado pode ser mudar um sistema… alterar um conceito… apagar e começar de novo, mandar abaixo o que está tão terrivelmente enraizado e construir uma nova realidade que no entanto seria tão simples de pôr em prática, bastava haver vontade politica para que fosse feito o “politicamente incorrecto”. Estou a falar de quê? Em primeiro lugar de uma mudança drástica no sistema de valores, de se perceber que efectivamente o país pertence aos portugueses e que todos temos, com todo o direito, uma palavra a dizer. Já se falou num governo de salvação nacional, e não será este o caso? E se esse governo de salvação nacional fosse apenas uma ideia para dar inicio a outra muito maior, com continuação e não com carácter temporário? Porque vivemos numa democracia, será que temos que seguir à risca o que democracia significa. Quem foi que inventou as regras e quem disse que não podem ser alteradas? Vamos alterar as regras do jogo? Podemos faze-lo? O que é necessário para o podermos fazer? Olhamos para os partidos que estão no poder, para a oposição e para os outros que gravitam à volta do poder como traças em volta de uma luz, e apenas podemos pensar que o que perpetua este movimento é pura e simplesmente a sede de poder, interesses pessoais, dinheiro… Maior parte dos protagonistas destes teatrinhos lamentáveis são homens ainda na fase da testosterona elevada. A competição fala mais alto do que os interesses nacionais e o ego individual ou partidário acaba sempre por se sobrepor ao que realmente interessa; governar o país. Como temos constatado, até agora, nada muda quando muda o governo. Vão uns e vêm os que já lá estiveram. Nada muda. Perpetuam-se mentiras. Faz-me lembrar uma má série de TV, cheia de maus exemplos para os jovens, mas que continua a ir para o ar (acho que já vai na oitava edição) em que nunca nada muda a não ser os protagonistas, até porque alguns vão ficando velhos demais para o papel e vão sendo substituídos. É insano que não se perceba que é o próprio sistema político que precisa ser substituído e não os seus parasitas… esses vão ficando por lá enquanto for rentável, e o pior é que nós permitimos que assim seja e ainda lhes damos a bênção! Eu sugiro que se escolham as pessoas certas para os cargos principais, para governar o país e que não sejam necessariamente escolhidas pelo partido que representam, mas pelo curriculum e pelo valor que possam acrescentar a um governo em que todos os partidos têm que estar representados, para que o povo também esteja, e que as pessoas para esses cargos sejam voluntários que dispensem remuneração. Jogar pela camisola… será que alguém ainda se lembra? Tirem uma licença sem vencimento e fiquem seis ou doze meses a ajudar o país a levantar-se… Pois é… assim é que era ver quem é que estava interessado no “poder”… era vê-los a inventarem desculpas para não aderirem a esta solução. Sem dinheiro não existe motivação e coisa e tal… e quem é que ia pagar os almoços e as viagens ao estrangeiro… Não seria necessário, visto que a única pessoa a representar o país seria o presidente da república! Decisões… teriam que ser discutidas até à exaustão, e só saíam da sala quando tivessem chegado a um acordo. E cada decisão tomada, seria fruto de um estudo exaustivo de todas as possibilidades e de pessoas em conjunto e não seria imputado nem culpa nem valor a nenhum partido, nem a nenhuma pessoa em particular porque seria uma decisão conjunta. Não seria isso uma verdadeira democracia? Não haveria um primeiro-ministro em destaque, haveriam vários, e as decisões seriam vigiadas por um presidente da república isento a quem caberia a função de falar ao país e de divulgar as decisões tomadas nas reuniões. A cereja em cima do bolo seria que, essas reuniões onde seriam efectivamente discutidos os números e os assuntos de uma forma séria (não como a palhaçada de lavagem de roupa suja na assembleia da república) teriam que ser filmadas em directo 24 sobre 24 horas para que a transparência fosse total. Tipo Big Brother! E agora eu pergunto: “What does it take?” Alda Maria Maltez

 Caminhos de Luz – acrilico sobre tela 100x100cm (vendido)

Há quanto tempo não me debruço sobre a escrita… e, dependendo do humor, embalo ao de leve as frases ou escangalho as palavras, ao arremessá-las contra uma folha de papel, deixando-as entregues a um destino incerto que acabei, num impulso, por lhes conferir… Tenho poupado as palavras … essa é que é a verdade… apenas porque agora ando de mãos dadas com o silêncio, e isso tem-me servido de abrigo, esse, que não se encontra nos sons confusos das palavras que nos saem, sejam, ou não, escritas… sejam, ou não, gritadas contra o vento… É como se, dentro do silêncio, eu me encontrasse cara a cara com a pessoa que eu sei que sou e também com aquela que quero ser, e, nesse momento, as palavras deixassem de fazer sentido. O meu silêncio está repleto de letras prontas para formarem palavras, que agora escolhem deixar-se ficar. Por vezes, muitas vezes, escapam-se através dos meus olhos… quer seja numa lágrima, quer seja num brilho fugaz que me atravessa o olhar … Tenho um porão cheio de palavras por dizer, mas sinto que já não faz sentido abrir a boca e soltá-las… não da mesma forma, não como antes… Porque agora… eu descobri o valor exacto de cada uma. Agora deixo que as letras se misturem dentro de mim e me escrevam poemas de amor, e me falem sobre a verdade que existe dentro de mim… dentro de cada um de nós… e que já não sintam a necessidade de se juntarem … e de se libertarem em impulsos… formando palavras…e de partirem… apenas por partir… Deixam-se ficar… a transformarem-se em amor, a soltarem-se em abraços e a libertarem-se em olhares de entendimento… a reinventarem a linguagem…

Alda Maria Maltez

“Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que são lançadas no ar…

Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.

O trabalho é a única bola de borracha.
Se cair, bate no chão e salta para cima.
Mas as quatro outras são de vidro…
Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas.

Entendam isso e assim conseguirão o equilíbrio na vida”.

Como?

Não diminua seu próprio valor comparando-se com outras pessoas… Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.
Não fixe seus objetivos com base no que os outros acham importante… Só você tem condições de escolher o que é melhor para si próprio.
Dê valor e respeite as coisas mais queridas de seu coração… Apegue-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido.
Não deixe que a vida lhe escorra entre os dedos por viver no passado ou no futuro… Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias de sua vida.
Não desista enquanto ainda é capaz de um esforço a mais… Nada termina até o momento em que se deixa de tentar.
Não tema admitir que não é perfeito… Não tema enfrentar riscos… É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.
Não exclua o amor de sua vida dizendo que não se pode encontrá-lo…  A melhor forma de receber amor é dá-lo…  A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas. Corra atrás de seu amor, ainda dá tempo!
Não corra tanto pela vida a ponto de esquecer onde esteve e para onde vai…
Não tenha medo de aprender… O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.
Não use imprudentemente o tempo ou as palavras… Nenhum dos dois se pode recuperar.
A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo.

Lembre-se: Ontem é história.
Amanhã é mistério e
HOJE é uma dádiva… Por isso se chama “presente”.

Brian Dyson

It’s my life… It’s now or never…

Já há algum tempo que não escrevia nada no meu bloguezinho, e hoje achei que a ocasião merecia ficar registada. Começo este texto a dar os parabéns a mim mesma, até porque mereço, e a ocasião assim o exige. Ok! Fiz cinquenta anos (50 viram bem) há poucos dias, e não, não fiquei deprimida por causa disso, ao contário do que possam pensar, esqueci-me foi de assinalar aqui, até porque estive muito ocupada. O meu filhote, que agora mora no Algarve, faz anos no mesmo dia que eu e veio para almoçar comigo e com o irmão . Entre pizzas e sangria de champanhe, varreu-se-me por completo! Mas estou de parabéns por outro motivo também. Afinal sempre acabei por me inscrever na faculdade de psicologia, acabei sim senhora, já há cerca de dois meses atrás e ainda não disse quase a ninguém, nem a minha mãe nem irmãs sabem de nada. Só os meus filhotes e um ou outro amigo. Matriculei-me, comprei os “calhamaços” para estudar para o exame (a bibliografia recomendada), “marrei” durante um mês (estive concentrada no estudo), e lá fui eu no dia e hora marcado pela Universidade. Fiz a “provazita” (3 folhas duplas de testes…enormes… umas quantas perguntas, tipo, o que pensa acerca deste tema…desenvolva cerca de duas páginas e meia. Agora faça o resumo… em Inglês) Wow! O Inglês tirei de letra e até penso que contribuiu largamente para eu estar aqui no lado dos que “não estão a chorar”.

182 Candidatos para 15 lugares, e adivinhem o que aconteceu… apenas cerca de 70 tiraram positiva na prova e aqui “euzinha” fui uma delas. 42% de positivas. (até fiz as contas e tudo). Fiquei estupefacta com o índice de reprovações, quase tanto como com o facto de eu ter passado, perante semelhante cenário, embora eu tivesse uma vozinha interior a dizer-me que sim. Hehehe…

Agora falta a entrevista. Aaaaaaai! Aí é que “a porca torce o rabo”.(Apesar do meu mapa astral dizer o contrário. Sim, porque diz lá que tenho o Sol junto a Mercúrio no Meio do Céu, e eu já percebo a potes disso, hihihi, e isso quer dizer que ainda um dia vou falar em público e dar palestras). Não sei como, e muito menos acerca de quê, mas se o mapa diz, é melhor eu começar a praticar… hehehe… A primeira vez que falei em público foi já há alguns anitos, quando publiquei uns poemas meus numa colectânea de novos autores, e como sou Alda Maria, é raro, muito raro, alguém vir em primeiro lugar numa lista alfabética antes de mim. OK, aqui a Alda Maria levantou-se e foi ao palco fazer os agradecimentos da praxe …não disse uma frase completa que fizesse sentido e fiquei da cor das cadeiras do anfiteatro, que eram vermelhas. Quando já estava a retomar a cor normal escolheram um poema meu para declamar, o que me deixou super-orgulhosa, o pior foi que escolheram um com um conteúdo levemente erótico e eu voltei a mudar de cor, enfim, que mais posso dizer? Estou ffffffffffeita ao bife! De qualquer forma, se não passar com distinção a fase da entrevista , (coisa que neste momento nem ponho em causa), posso dizer que estou orgulhosa de mim na mesma, que ainda o ano passado por esta altura nem o 9º ano tinha completo, e ó pra mim agora!

 Bom, pelo sim pelo não, como sou uma “pikena” prevenida, já estou a ver os fatos, confesso que os acho um pouco… não sei, quanto a mim precisam de mais design. E quanto aos saltos dos sapatos serem rasos, como ouvi dizer, ainda vamos ver, que eu sem saltos altos ninguém me vê…mas isso são pormenores… O que é que acham deste?

Até parece que já me estou a “ber”, canudo!

 

Fotografia de Alda Maltez

Culpada,

Sem ter a culpa.

Crucificada,

Ferida de morte,

Largada à minha sorte.

Olhos vazios,

De espanto,

Desencanto,

Dor!

 

É isto afinal…o amor?

 

Mendigo,

Sem abrigo,

Mãos estendidas

Em suplica pedindo.

Cão açoitado,

Lambendo as feridas,

Escondendo a dor!

 

É isto afinal…o amor?

 

 

 

 

Ilustração de Alda Maltêz 

Vou deixar aqui um apelo.

É algo que tem vindo a germinar dentro de mim já há algum tempo, e eu sou assim…como direi…de ideias fixas.

Para poder explicar melhor os meus sentimentos acerca deste assunto, começo por dizer, que já fui viciada em telejornais, noticias, informação e afins.

 Agora não!

 Já há muito tempo que deixei de ver telejornais. Não acrescentam absolutamente nada à pessoa que eu sou, e mais não digo!

Aliás, acho que foi por volta do caso “casa pia”, que eu comecei a desligar-me desse mundo de desgraças que só pode fazer mal a quem devora, como eu costumava fazer, toda a informação que tem ao seu dispor. 

Um dia disse: “Basta!”

E foi assim, meus senhores e minhas senhoras, que aqui a Alda Maria deixou de saber o que se passava no mundo… (quando há alguns anos o governo caiu, só percebi porque ouvi nas ruas e nos cafés as pessoas a comentarem. Fiquei ligeiramente incomodada por ser eu a última pessoa a saber…).

 Agora não!

Já nada disso me incomoda.

Eu sou eu, e o resto é paisagem.

A propósito…e o mundo? Quer saber noticias minhas?

Tenho o meu próprio mundo, e, mesmo não sendo perfeito, não dou a ninguém o direito, de todas as noites o vir escavacar mais um bocadinho, com os males do mundo transformados em circo.

Admiram-se depois das “ Columbines” e coisa e tal…

Tenho uma teoria, é uma coisa muito minha …sei lá…

De vez em quando, penso nisso, e se calhar um dia ainda ponho em prática.

 Já agora, assim como quem não quer nada, até vou pôr a circular na internet, uma espécie de petição, um abaixo-assinado, e quem sabe…

Bom, vou dizer-vos do que se trata.

Eu tenho uma visão …(tipo “I have a dream”…)

Até que, se conseguir juntar muitas pessoas a meu favor ainda vou à TVI com esta proposta. (hi! hi! hi!)

Ora aqui vai!

Eu imagino que se possa construir um canal de notícias, que possa haver um noticiário, onde apenas sejam “dadas”, as boas notícias.

Ora vejam lá se conseguem visualizar…

São oito em ponto da noite.

E, com a música da apresentação, tão típica do telejornal, começa;

Boa noite! Eu sou (agora já não pode ser) a Manuela Moura Guedes, e este é o Jornal Nacional…Especial!

Tcharaaaaaam!
Perceberam? Ainda não?

Está claro que não, porque eu ainda não expliquei, dah!

Agora imaginem lá, a ver se conseguem.

Vá lá! Não é difícil!

…….HOJE O PAÍS ACORDOU  MAIS UMA VEZ AO SOM DE MUSICA CLÁSSICA!…

e as noticias que hoje  tenho para vos dar,  são, como de costume,  inspiradoras, algumas enternecedoras até…vou fazer-vos sorrir de ternura, rir à gargalhada, suspirar, e, se por acaso uma lagrimazita teimosa rolar, será certamente de alegria…

 Há aquele caso de uma família que resolveu ajudar… e o outro caso das crianças na escola que formaram um grupo, e resolveram entregar as suas mesadas para serem distribuídas …. e o caso do senhor do mini mercado, que ajudas algumas famílias da região , que estão desempregadas … e segue-se uma entrevista com o Sr. Albertino, que viu a sua vida ser transformada pela boa vontade dos vizinhos… e agora esta noticia, embora exista um determinado numeroso de pessoas, para as quais isto não é novidade nenhuma, o certo é que já está mais do que confirmado:

eles andam por aí… os anjos,

 e existem pessoas que falam com eles, e mantêm conversas inspiradoras…Hoje foi avistado um arco íris, enorme, com cores extremamente vivas, que se avistava por inteiro, de uma ponta à outra,

para quem estava a trabalhar e não pôde assistir, aqui ficam as imagens, e já a seguir, mais, muito mais, aqui, no Jornal Nacional Especial.

Que lindo!

Embora as guerras existam, e sejam todos os dias mutiladas milhares de pessoas, e violadas centenas de mulheres, e esquecidos os direitos das crianças, e as mulheres sejam escravizadas pelos próprios maridos, e ainda que morram de fome e de doenças a toda a hora milhares de pessoas, será que não seria iniciado assim, uma nova corrente, uma outra maneira de olharmos o mundo…

Será que as coisas boas, (porque elas existem), não poderão ser elas as noticias, que nos entram pela casa adentro e que em vez de nos tirarem o apetite na hora do jantar, nos possam servir de inspiração, para fazermos cada vez mais, cada vez melhor.

Senhor primeiro-ministro, que se fale em optimismo, em vez de crise, e não apenas em época de eleições, que se fale de quem faz o bem, em vez de quem espalha o terror. Que os “cinco minutos de fama” não sirvam de troféu aos que roubam, assaltam, e estupram, e que por vezes o fazem para verem os seus delitos serem capas de revista e títulos de jornais… Que a palavra seja dada a quem tem alguma coisa de útil a dizer, que seja dada a quem sabe o que diz, que seja dada a quem sabe do que fala… e quando digo, sabe do que fala, não quero dizer a quem tenha muita conversa, quero dizer a quem seja sábio…

Quero ver telejornais, sim senhora!

Mas fartei-me do sensacionalismo com que se “ tratam” as notícias, como se exploram os sentimentos, as coisas que tocam fundo nas pessoas, como o desaparecimento de um filho, como se faz render o peixe e esticar a corda com a desgraça alheia, apenas para servir os interesses de alguns. Fartei-me de todos os “Casos Maddie”, de todas as guerras, de todas as gripes, que já deram a volta ao mundo e que já nos dizimaram por completo várias vezes.

Pior! Muito Pior do que a combinação das galinhas resfriadas, com a dos porcos constipados e com esta agora, que pelo menos tem um nome mais técnico, são os telejornais, que todos os dias fazem vítimas e ninguém toma uma atitude. Querem-nos matar, isso sim, mas é de preocupação! Encherem-nos de stress ao fim de um dia de trabalho, até que se expluda em frente a um ecrã de televisão.

 Querem-nos embebedar com noticias a que vão “ acrescentando água” para fazer render, às vezes MESES SEGUIDOS.

Como é que isto é possível. Meu Deus?

Não posso compactuar com isto, por isso recuso-me a ver telejornais!

Enquanto não derem noticias de que eu goste, não vejo mais, e pronto!

JÁ  DISSE! E quem quiser pode assinar por baixo:
Alda Maria Maltêz

 

 

Alda Maria – A Vida é um Jogo – Acrilico sobre tela 150×150 cm 

 

 

Era uma vez um rei e uma rainha…

 

Viviam num lindo castelo rodeados de abundância,

 tinham coches, cavalos, aias…

O Rei julgava que era soberano e que a sua palavra tinha força de lei,

aliás, o Rei pensava que estava acima da lei e gostava de falar com a rainha engrossando a voz…

O Rei, na realidade era um ser frágil e limitado que não se tinha apercebido do fim da monarquia,

 na verdade o Rei não percebera atempadamente que tinha entrado no século XXI…e isso foi-lhe fatal.

Por esse motivo a Rainha partiu, deixando o Rei com tudo;

o castelo, os coches e o poder que ele imaginava ter…

O Rei ficou sozinho no castelo,

confinado a movimentar-se de um aposento para o outro,

 do quarto para a sala, da sala para o quarto, enfim…uma casa de cada vez, como fazem os reis.

Enquanto a Rainha…

A Rainha ficou com toda a riqueza do mundo nas suas mãos vazias,

e finalmente pôde caminhar por todos os caminhos que escolheu percorrer,

 realizando os seus sonhos antigos e os seus projectos adiados…

 

…e a Rainha viveu feliz para sempre.

 

 Perdoem-me a analogia, mas realmente quem inventou o xadrez sabia o que fazia.

Não é por acaso que a Rainha se movimenta para onde quer, a distância que entender,

 enquanto que o Rei, até para comer, tem que esperar que a presa se aproxime.

 

A Rainha escolhe. O Rei sujeita-se…

 

O Rei é uma peça limitada, sem poder de decisão, que vive na ilusão de um estatuto

que há muito deixou de possuir, dependendo da protecção, ou não,

da Rainha e dos demais à sua volta, que ele desesperadamente tenta controlar,

sem se mexer demasiado, claro!

 

Uma peça, seguramente, largamente ultrapassada, neste tabuleiro de Xadrez, que é a vida…

 

Alda Maria