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Monthly Archives: Dezembro 2016

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Sem querer parecer moralista ou condescendente, não consigo evitar de voltar a um tema que, quanto a mim, deveria dispensar aboradagem por razões que, pelo menos aos meus olhos, parecem óbvias…

O ditado diz que “Quando não os podemos vencer para nos juntarmos a eles…” .

Não poderia discordar mais!

Não me junto! Não me junto! e Não me junto!

…Às filas no supermercado que parecem ser a solução mas que são, na realidade, o problema…

Estou a falar das máquinas de pagamento automático nas grandes superfícies, e é altamente perturbador, para mim, que as pessoas em geral achem que estão perante uma grande inovação técnológica, sem pensarem em todas as implicações e consequências inerentes à aplicação dessa mesma técnologia.

Não tenho nada contra a tecnologia, muito pelo contrário! Sou adepta e utilizo muito no meu dia a dia tanto pessoal como profissional, mas quando a consciência humana é toldada pela ilusão do avanço técnológico e em vez de avançar regride, e deixa de pensar por si mesma, indo atrás da multidão como carneiros num rebanho, sem vontade própria, aí sim, custa ver e doí…

As pessoas têm memória curta, diz o povo, e é bem verdade. Há cerca de trinta anos os supermercados e as grandes superfícies entraram no mercado nacional e, em pouco tempo, dizimaram a maior parte do comércio local. Comércio local esse que era a fonte de rendimento principal e o sustento para milhares de famílias de pessoas que perderam as suas empresas. Com os grandes benefícios fiscais que o governo sempre deu como incentivo e apoio à implementação das grandes superfícies, elas proliferaram e cresceram com a promessa da criação de milhares e milhares de empregos…

Talvez quem não sofreu na pele o drama da extinção quase total do comércio local, não sinta este problema como seu. Contudo custa-me a acreditar que, mesmo para quem não tem essas memórias, a óbvia tentativa de agora substituirem toda essa mão de obra, ainda que muito mal paga, mas, ainda assim, extremamente necessária ao sustento de muitas famílias portuguesas, por máquinas de pagamento automático, não lhes faça soar um alarme interior, não os faça pensar na intenção subjacente, e apenas achem que é fixe e avançado e não sei mais o quê…

Como consequência desta falta de consciência colectiva, muito em breve vão deixar de existir centenas senão milhares de postos de trabalho…

Sinceramente!

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(…) Quando os meus filhos eram pequenos, ali a entrarem na adolescência, protestavam quando eu comecei a enfeitar a árvore de Natal com ursinhos…

– “Ó mãe! Ninguém põe ursos na árvore de Natal!”

– É verdade…mas eu não sou igual às outras pessoas e não faço nada só porque as outras pessoas fazem… para além disso, não é por ser mãe que deixei de ser criança…

Até que aos poucos se habituaram, e tenho para mim que, secretamente, comecaram a gostar…

Os filhos crescem, e saem do nosso colo e voam e vão passar os seus natais no outro lado do mundo… e as árvores, que eram tão grandes, comecam a parecer muito mais pequenas… e as saudades que dantes eram pequenas tornam-se enormes…

Hoje os meus meninos são dois homens e eu gosto de pensar que um dia, quando eles se tornarem pais, e tiverem os seus próprios filhos, vão olhar para trás e dizer: “Ninguém põe ursos na árvore de Natal, só mesmo a tua avó”, mas desta vez com um sentido muito diferente…

Votos de um Feliz Natal!

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Paradoxo…

No insondável mistério que é amar-te, pecado confesso e contrição, perpétuo arrependimento de voltar sempre ao ponto de partida…

Enigma…

Nas palavras indizíveis, contidas em olhares soslaios que deixam escapar verdades inconvenientes, paixão e febre, doença e cura em simultâneo…

Quebra cabeça…

No corpo esculpido, uma e outra vez, pelas tuas mãos, artesão em busca da obra prima, Vénus quebrada, seios e ventre e mármore, escopo a cinzelar desejos e dilemas…

Labirinto…

Na língua e mãos e carne, a conquistar terra de ninguém, campo de batalha onde me perco e te encontras, e onde hasteias a tua bandeira, de derrota em derrota, sem que sejas vencido…

Fuga…

Na inconsciência que é querer-te, medos e segredos, perigosamente ciente dos nadas que colecciono e desconstroem a nossa história que não há…

Vertigem…

Na insanidade das minhas mãos a procurarem-te no meu corpo, no silêncio das noites de insónia, lua cheia a invocar feitiços, madrugada dentro…

Medo…

No indizível ridículo que é contar no relógio todas as horas, quando carregas nas tuas mãos a minha solidão, asas e pele, onde despejas as etéreas promessas de ser mais…

Tormenta

Barco à deriva, perdido, a encontrar refugio na ilha da tua pele onde naufrago, entrega e cansaço, maresia e sal em tempestades de sentidos, dor e ciúme a morder a tua boca de saudade…

Água

Nas fontes dos meus olhos com que escrevo poemas, que não lês, nas minhas faces, sulcos, versos que gritam e calam e guardam…

…e esperam…

…por habitares o meu corpo sem abrigo…

Alda Maria Maltez