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Monthly Archives: Novembro 2011

Podia dar-me para pior… deu-me para aqui… e em vez de estar a estudar estatistica, com uma frequencia daqui a dois dias, deu-me para limpar o pó a poemas antigos… ai ai ai… deve ser esta lua cheia em escorpião a mexer em feridas de guerra… marcas de batalhas travadas…desta e de outras passagens…está tudo bem o que acaba bem…diz o povo…e quem sou eu para contraria-lo…

Feitiço

 

Assim estou eu…

Como Merlin, o Mago.

Ainda, e para sempre, aprisionado

Em Célticos Bosques Encantados

Por artes mágicas de Nimue fadado. 

Assim estou eu…

Para todo o sempre enfeitiçada,

Eternamente por ti enamorada.

Quebra este feitiço,Senhor, eu te rogo!

Com o poder da Agua, da Terra e do Fogo! 

Com palavras mágicas, o encanto desfaz…

Mata esta loucura…Devolve-me a paz.

Alda Maria Maltez

 

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Antes…

 

Antes eu bebia sôfrega a luz dos teus olhos,

Eles brilhavam pra mim como estrelas na noite

…e só eu é que via…

 Antes

As tuas palavras, ditas banais, eram poemas

Cheios de flores, e cor e musica

…e só eu é que ouvia… 

Antes

Eu embarcava no teu sorriso

E navegava no mar das minhas fantasias

…e só eu é que sabia…

Antes

Eu falava com os anjos…e eles mostravam-me

Caminhos de luz até ao teu palácio

…e só eu é que sabia… 

Antes…

Antes as minhas mãos procuravam-te no meu corpo

No silêncio das noites de insónia,

E as minhas lágrimas escreviam o teu nome no meu rosto,

E eu bebia a dor salgada de te querer sozinha.

…mas isso era antes…

Porque antes eu amei um sonho…uma fantasia

…e já toda a gente sabia… 

Mas agora…

Agora as fontes dos meus olhos secaram

E transformaram-se em tinta e em palavras

E eu pintei telas com as cores da minha alma

E enchi folhas com palavras que agora já não me falam,

E tu estás em cada sílaba, em cada pincelada

E eu já não te conheço.

E os teus olhos já não têm o brilho que eu imaginava

…porque só eu é que via… 

Porque agora…

Agora eu enchi a minha vida com os sorrisos perdidos,

E fiz da minha dor o meu navio

E naveguei os temporais que me assolaram, e saí ilesa.

Apenas estou cansada…exausta…

Porque eu passei pela tempestade,

Não foi ela que passou por mim…

E eu saí mais forte.

E hasteei as velas da minha coragem

E rumei a novas paragens…

E ficaram para traz as palavras inocentes

Com que compunha os poemas

Que a menina dentro de mim inventava para te oferecer.

Porque o que eu sentia tinha atravessado o tempo…

Outros tempos…

Porque em outras vidas este amor foi vivido a dois

E eu não estava sozinha.

Mas tu perdeste as memórias

E viajaste no tempo sem lembranças…

…mas isso era antes… 

Porque antes…

Antes eu passeava descalça em roseirais brancos

Abrindo caminhos de sangue

…e só eu é que sentia… 

Alda Maria Maltez