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Tenho dois filhos lindos que eu amo de paixão. O David, o meu filho mais velho, foi passar uns dias a Moscovo, e eu só agora me dei conta de como estamos a milhares de quilómetros de distancia… os meus filhos são o meu maior bem. Fui jantar fora com o mais novo, o Rafael, e ficámos durante muito tempo sobre a mesa do restaurante a conversar… como é lindo o meu bebé… tem 21 anos e uma cabeça madura demais para a idade. Sei que a minha saída de casa lhe causou e ainda causa muito sofrimento e isso tortura-me diariamente. Mas eu esperei que os meus filhos se tornassem homens, não podia esperar mais… É extremamente sensível, como eu, o que apenas lhe aumenta o sofrimento. Mas ao contrário de mim, é completamente céptico. De tão céptico que é e ainda assim consegue ser mais espiritual de que a maioria das pessoas, e nem se dá conta disso. Diz que quer partir daqui para fora, e ouvir isso dói demais. Sente-se sozinho e já não se identifica com os amigos… ” Vou explicar-te” diz. “Imagina que eu sou azul e que o resto do mundo é verde, somos diferentes, não falamos a mesma linguagem… não quero ter que me transformar e ser como eles…quero continuar a ser azul e a pensar da forma que penso, mas sei que assim fico cada vez mais sozinho…” Estou preocupada com ele, mas compreendo perfeitamente a linguagem que ele fala, é demasiado parecido comigo, por isso sei que sofre de uma forma desmesurada e eu, nem que queira lhe posso aliviar o fardo que é só dele mas que eu carrego também por preocupação de mãe. Muitas vezes me sinto assim também, como se não fosse igual a ninguém, como se viesse de outro planeta, com formas diferentes de demonstrar e de viver o amor. Falámos de várias coisas e depois de me perguntar onde eu tinha estado e com quem, (que ele agora é meu pai), e de eu lhe ter dito que havia estado com as pessoas que conheci recentemente e onde costumava fazer meditação, ele saiu-se com esta… “ Mãe, estou preocupado contigo, quem são essas pessoas com que tu agora te dás? Tenho medo que te deixes influenciar por elas e acredites em coisas que não existem” (como se eu alguma vez me tivesse deixado influenciar, nem quando tinha 14 anos e andava na escola, ou como se um grupo de meditação pudesse ser uma influencia negativa), e continuou, “ Sabes, quando eu era pequeno, eras tu que tomavas conta de mim, e quando chegou a altura, disseste-me que já não havia pai natal, porque esse era o teu papel… Agora, é como se os papéis se tivessem invertido, e como me preocupo contigo, tenho medo que tu ainda acredites no pai natal. Mãe, a felicidade é algo que não existe, e eu tenho medo que tu sofras outra vez…”  Aaaaiii… como doeu essa conversa, e ainda assim, tão boa que foi. Como é querido o meu menino e como ele me quer proteger, mas não pode…  Tanto que ele sofre com a minha ausência e como me sinto tão culpada pelas horas de solidão que ele tem. Queria dizer-lhe que se preocupa à toa porque eu já sou muito crescida e sei tomar muito bem conta de mim, que as mães sabem tudo e nunca cometem erros nem fazem disparates, mas olhei para o meu filho, ali à minha frente, tão crescido e tão maduro, que me senti como uma criança a levar um sermão do pai, que com muito amor lhe dizia que o mundo é um lugar perigoso onde uma menina sozinha tem que ter cuidado para não se magoar…

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