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Sem querer parecer moralista ou condescendente, não consigo evitar de voltar a um tema que, quanto a mim, deveria dispensar aboradagem por razões que, pelo menos aos meus olhos, parecem óbvias…

O ditado diz que “Quando não os podemos vencer para nos juntarmos a eles…” .

Não poderia discordar mais!

Não me junto! Não me junto! e Não me junto!

…Às filas no supermercado que parecem ser a solução mas que são, na realidade, o problema…

Estou a falar das máquinas de pagamento automático nas grandes superfícies, e é altamente perturbador, para mim, que as pessoas em geral achem que estão perante uma grande inovação técnológica, sem pensarem em todas as implicações e consequências inerentes à aplicação dessa mesma técnologia.

Não tenho nada contra a tecnologia, muito pelo contrário! Sou adepta e utilizo muito no meu dia a dia tanto pessoal como profissional, mas quando a consciência humana é toldada pela ilusão do avanço técnológico e em vez de avançar regride, e deixa de pensar por si mesma, indo atrás da multidão como carneiros num rebanho, sem vontade própria, aí sim, custa ver e doí…

As pessoas têm memória curta, diz o povo, e é bem verdade. Há cerca de trinta anos os supermercados e as grandes superfícies entraram no mercado nacional e, em pouco tempo, dizimaram a maior parte do comércio local. Comércio local esse que era a fonte de rendimento principal e o sustento para milhares de famílias de pessoas que perderam as suas empresas. Com os grandes benefícios fiscais que o governo sempre deu como incentivo e apoio à implementação das grandes superfícies, elas proliferaram e cresceram com a promessa da criação de milhares e milhares de empregos…

Talvez quem não sofreu na pele o drama da extinção quase total do comércio local, não sinta este problema como seu. Contudo custa-me a acreditar que, mesmo para quem não tem essas memórias, a óbvia tentativa de agora substituirem toda essa mão de obra, ainda que muito mal paga, mas, ainda assim, extremamente necessária ao sustento de muitas famílias portuguesas, por máquinas de pagamento automático, não lhes faça soar um alarme interior, não os faça pensar na intenção subjacente, e apenas achem que é fixe e avançado e não sei mais o quê…

Como consequência desta falta de consciência colectiva, muito em breve vão deixar de existir centenas senão milhares de postos de trabalho…

Sinceramente!

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(…) Quando os meus filhos eram pequenos, ali a entrarem na adolescência, protestavam quando eu comecei a enfeitar a árvore de Natal com ursinhos…

– “Ó mãe! Ninguém põe ursos na árvore de Natal!”

– É verdade…mas eu não sou igual às outras pessoas e não faço nada só porque as outras pessoas fazem… para além disso, não é por ser mãe que deixei de ser criança…

Até que aos poucos se habituaram, e tenho para mim que, secretamente, comecaram a gostar…

Os filhos crescem, e saem do nosso colo e voam e vão passar os seus natais no outro lado do mundo… e as árvores, que eram tão grandes, comecam a parecer muito mais pequenas… e as saudades que dantes eram pequenas tornam-se enormes…

Hoje os meus meninos são dois homens e eu gosto de pensar que um dia, quando eles se tornarem pais, e tiverem os seus próprios filhos, vão olhar para trás e dizer: “Ninguém põe ursos na árvore de Natal, só mesmo a tua avó”, mas desta vez com um sentido muito diferente…

Votos de um Feliz Natal!

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Paradoxo…

No insondável mistério que é amar-te, pecado confesso e contrição, perpétuo arrependimento de voltar sempre ao ponto de partida…

Enigma…

Nas palavras indizíveis, contidas em olhares soslaios que deixam escapar verdades inconvenientes, paixão e febre, doença e cura em simultâneo…

Quebra cabeça…

No corpo esculpido, uma e outra vez, pelas tuas mãos, artesão em busca da obra prima, Vénus quebrada, seios e ventre e mármore, escopo a cinzelar desejos e dilemas…

Labirinto…

Na língua e mãos e carne, a conquistar terra de ninguém, campo de batalha onde me perco e te encontras, e onde hasteias a tua bandeira, de derrota em derrota, sem que sejas vencido…

Fuga…

Na inconsciência que é querer-te, medos e segredos, perigosamente ciente dos nadas que colecciono e desconstroem a nossa história que não há…

Vertigem…

Na insanidade das minhas mãos a procurarem-te no meu corpo, no silêncio das noites de insónia, lua cheia a invocar feitiços, madrugada dentro…

Medo…

No indizível ridículo que é contar no relógio todas as horas, quando carregas nas tuas mãos a minha solidão, asas e pele, onde despejas as etéreas promessas de ser mais…

Tormenta

Barco à deriva, perdido, a encontrar refugio na ilha da tua pele onde naufrago, entrega e cansaço, maresia e sal em tempestades de sentidos, dor e ciúme a morder a tua boca de saudade…

Água

Nas fontes dos meus olhos com que escrevo poemas, que não lês, nas minhas faces, sulcos, versos que gritam e calam e guardam…

…e esperam…

…por habitares o meu corpo sem abrigo…

Alda Maria Maltez

 

52970_488229687883468_873839943_o Maria quis ir, um dia, ao outro lado do mundo,

Quis sair do seu jardim, conhecer o mundo, a fundo…

Maria ficou espantada com as coisas que lá viu,

Viu lá casas de papel e meninos cheios de frio.

Mas Maria não sabia, mas Maria não sonhava,

Que haviam lugares no mundo onde a comida escasseava…

Maria ficou parada, não sabia o que pensar.

Tinha pensado que o mundo era a casa onde vivia,

Era o pai e era a mãe,

Era o irmão pequenino,

Era o tio e era a tia,

Que viviam a cantar, do lado onde ela morava…

Se Maria não sabia, também ninguém lhe contava…

Maria olhou p’ros meninos, falavam e riam dela,

Gozavam com o seu vestido, chamavam-lhe “farapela”…

Maria então perguntou: “Porque se riem de mim?”

“Olhem, eu não tenho a culpa, se calhar nasci assim!”

“Já de vestido com folhos, e lacinhos cor-de-rosa…”

Mas os meninos só riam, e chamavam-lhe vaidosa.

Maria correu p’ra casa, passou a tarde a chorar…

Maria contou ao pai, o que um dia descobriu,

O pai deu-lhe um beijo grande, olhou p’ra ela e sorriu.

“Maria…tu és pequena, anda, olha para mim…”

“Compreendo que tens pena, mas o mundo é mesmo assim.”

Mas, se o mundo é mesmo assim, o que é que vamos fazer?

“Não penses mais nos miúdos, que tens mais em que pensar…”

“Olha, acaba de comer, e vai p’ro quarto estudar!”

Alda Maria Maltez

Lápis de cor em papel de aguarela por Alda Maria Maltez1545622_938070719566027_2485065941698575974_n

Antes…

Eu bebia sôfrega a luz dos teus olhos,

Eles brilhavam pra mim como estrelas na noite

…e só eu é que via…

Antes…

As tuas palavras, ditas banais, eram poemas,

Cheios de flores, e cor e musica

…e só eu é que ouvia…

Antes…

Eu embarcava no teu sorriso,

E navegava no mar das minhas fantasias

…e só eu é que sabia…

Antes…

Eu falava com os anjos

E eles mostravam-me caminhos de luz

Até ao teu palácio

…e só eu é que sabia…

Antes…

Antes as minhas mãos procuravam-te no meu corpo

No silêncio das noites de insonia,

E as minhas lágrimas escreviam o teu nome no meu rosto,

E eu bebia a dor salgada de te querer sozinha.

…mas isso era antes…

Porque antes eu amei um sonho, uma fantasia,

…e já toda a gente sabia…

Mas agora…

Agora as fontes dos meus olhos secaram,

E transformaram-se em tinta e em palavras,

E eu pintei telas com as cores da minha alma,

E enchi folhas com palavras que agora já não me falam,

E tu estás em cada sílaba, em cada pincelada,

E eu já não te conheço.

E os teus olhos já não têm o brilho que eu imaginava

…porque só eu é que via…

Porque agora…

Agora eu enchi a minha vida com os sorrisos perdidos,

E fiz da minha dor o meu navio

E naveguei os temporais que me assolaram

E saí ilesa.

Apenas estou cansada…exausta

Porque eu passei pela tempestade,

Não foi ela que passou por mim…

E eu saí mais forte.

E hasteei as velas da minha coragem,

E rumei a novas paragens.

E ficaram para traz as palavras inocentes,

Com que compunha os poemas,

Que a menina dentro de mim inventava para te oferecer.

Porque o que eu sentia tinha atravessado o tempo…

Outros tempos…

Porque em outras vidas este amor foi vivido a dois,

E eu não estava sozinha.

Mas tu perdeste as memórias,

E viajaste no tempo sem lembranças.

…mas isso era antes…

Porque antes…

Antes eu passeava descalça em roseirais brancos

Abrindo caminhos de sangue

…e só eu é que sentia…

Alda Maria Maltez 2005

Fotografia de Alda Maria MaltezFotos Nikon 903

Paradoxo…

No insondável mistério que é amar-te, pecado confesso e contrição, perpétuo arrependimento de voltar sempre ao ponto de partida…

Enigma…

Nas palavras indizíveis, contidas em olhares soslaios que deixam escapar verdades inconvenientes, paixão e febre, doença e cura em simultâneo…

Quebra cabeça…

No meu corpo esculpido, uma e outra vez, pelas tuas mãos, artesão em busca da obra prima, Vénus quebrada, seios e ventre e mármore, escopo a cinzelar desejos e dilemas…

Labirinto…

Na tua língua e mãos e carne, a conquistar terra de ninguém, campo de batalha onde me perco e te encontras, e onde hasteias a tua bandeira, de derrota em derrota, sem que sejas vencido…

Fuga…

Na inconsciência que é querer-te, medos e segredos, perigosamente ciente dos nadas que coleciono e desconstroem a nossa história que não há…

Vertigem…

Na insanidade das minhas mãos a procurarem-te no meu corpo, no silêncio das noites de insonia, lua cheia a invocar feitiços madrugada dentro…

Medo…

No indizível ridículo que é contar nos relógios todas as horas, quando carregas nas tuas mãos a minha solidão, asas e pele, onde despejas as etéreas promessas de não ser mais…

Tormenta…

Barco à deriva, perdido, a encontrar refugio na ilha da tua pele onde naufrago, entrega e cansaço, maresia e sal em tempestades de sentidos, dor e ciúme a morder a tua boca de saudade…

Água…

Nas fontes dos meus olhos, com que escrevo poemas, que não lês, nas minhas faces em sulcos, versos que gritam e calam e guardam…

…e esperam…

…por habitares o meu corpo sem abrigo…

Alda Maria Maltez

Lápis de grafite em papel de aguarela

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Apenas eu a desenhar…

Sobre uma folha branca de papel,

Sephia, Aguarela ou pastel,

Em linhas que se esfumam, esbatidas,

Nascem traços, revelam-se proibidas.

Em memória outrora reprimida,

Formam-se, emergem, ganham vida…

Até nos degradeés que se apagam,

Lábios, que em pinceladas se afagam,

Olhares, que nos devolvem o olhar…

Assim… apenas eu…a desenhar…

 Alda Maria

If you never wondered the beach, breathed the air, felt the sun, heard the seagulls cry in a middle week day of january…then you don´t know was freedom is all about…20150127_142929 (1)

CAM00240 - Cópia
Assim…um olhar sobre 2014…

Sem tristeza nem saudade…

Apenas alguma nostalgia por tudo o que é deixado para trás nesse ano que se despede… no que se é obrigado a largar, a despir, a abrir mão… coisas, pessoas, projectos, ideias, verdades absolutas…

Abrindo e estendendo as asas para outros voos noutros planos que se avizinham… para outras realidades, outras possibilidades de ser… outras dimensões de nós mesmos …

Sem medos, sem limites nem limitações… Apenas confiando que o Universo é infinitamente sábio e sabe exactamente o que é melhor para cada um de nós a cada momento…

E, quando pensamos que já nada nos pode surpreender… eis que a vida nos oferece, de novo, a oportunidade de mudança… a experiência transcendental e sublime da transformação, da interiorização e ao mesmo tempo da auto-superação…

O exercício da humildade, do amor incondicional, do desapego…

Perfeito, na sua perfeita imperfeição…

Ciclos que terminam para que outros se possam iniciar … O rico, de novo pobre para poder aprender a gratidão… O arrogante, de novo humilde para trabalhar a tolerância e a compaixão… O mestre, de novo aprendiz para poder trabalhar o amor incondicional, a sabedoria e a riqueza interior…

Crescer em consciência e expandir em verdade…

(Re)aprendendo…

Com tanta esperança e alegria a dar as Boas Vindas a 2015…

Alda Maria Maltez

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